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Camellia sinensis

A planta do chá é uma vedete agrícola mundial!

 

Costumamos dar o nome de chá, equivocadamente, a todo tipo de infusão que bebemos. Contudo, o verdadeiro chá resulta da infusão de uma só planta: a Camellia sinensis. É das folhas dessa planta perene e versátil que os seis tipos existentes de chá são produzidos mundo afora: o branco, verde, amarelo, oolong, preto e escuro.

 

As principais variedades para cultivo são a Camellia sinensis var. sinensis – encontrada  na China, Taiwan e Japão – e a Camellia sinensis var. assamica, própria de climas tropicais como a Índia, Sri Lanka, Quênia e Brasil. No entanto, através da intervenção humana, existem mais de quinhentos híbridos de variedades cultivadas, plantas mais resistentes, por exemplo, que suportam secas e repelem insetos.

 

Uma plantação de Camellia sinensis pode gerar até cinco colheitas por ano e, dela, utilizam-se os brotos, folhas maduras e pequenos galhos. Do plantio por semente até a primeira colheita são necessários de cinco a sete anos. Fatores naturais como altitude, solo e clima – o terroir – alteram o sabor e as características das folhas e determinam até a forma de processamento que será realizada. As técnicas usadas, a localização geográfica e a tradição local também fazem parte da análise de terroir por referirem-se à dimensão humana no processo.

 

O chá pode ser cultivado em diversas altitudes, mas a qualidade é superior em altitudes próximas a  2000 metros e terrenos inclinados, com temperaturas mais frias e luz do sol menos abundante do que nas regiões mais baixas. A Camellia sinensis se adapta melhor ao clima subtropical úmido e as colheitas são realizadas no início da primavera (quando os primeiros brotos surgem), no início do verão e, em alguns casos, no início do outono. As colheitas de ‘first flush‘ – primeira colheita anual – são consideradas as de melhor qualidade. No hemisfério norte elas ocorrem entre fevereiro e maio. Já no hemisfério sul, acontecem de setembro a novembro.

 

As fazendas de chá variam entre 10 a milhares de hectares sendo a produção adaptada ao mercado que atende. Fazendas maiores produzem em larga escala, a custos mais baixos, e utilizam fertilizantes e pesticidas para acelerarem o crescimento da planta. Seus produtos são vendidos em leilões, através de corretores, para grandes indústrias globais. Já as propriedades menores, os chamados jardins de origem controlada e jardins artesanais, mantêm o processo tradicional de produção, respeitando o tempo de desenvolvimento natural da planta. Seus chás de folhas soltas e finas são reconhecidos pelos sabores e características exclusivos, que requerem do produtor a compreensão às repostas naturais da planta e a sua experiência na manipulação das folhas. São chás que exigem acompanhamento intenso ao longo de todo o processo e são vendidos diretamente a importadores, atacadistas e varejistas.

Desenho: By Franz Eugen Köhler, Köhler’s Medizinal-Pflanzen (List of Koehler Images) [Public domain], via Wikimedia Commons

Na etapa do processamento das folhas, há dois métodos distintos a serem utilizados: o CTC (do inglês Crush/Tear/Curl que significa triturar, rasgar e enrolar) e o ortodoxo. No CTC, são utilizadas máquinas industriais – conhecidas como Rotorvane – nas quais folhas espessas e grandes são trituradas e moídas para acelerar o processo de oxidação. Já no método ortodoxo, o objetivo é preservar ao máximo a integridade das folhas, sendo total ou parcialmente feito à mão, conforme a escolha do produtor. Os chás derivados deste processo são mais caros, porém a procura vem crescendo cada vez mais.

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